




Imagens do Jardim Municipal de Vila Franca de Xira, na noite de 24 de Julho, cerca das nove horas.
Para não dar descanso aos políticos!
De olhos em bico foi como ficámos quando demos pelo desaparecimento dos edifícios da chamada Rua do Chave Douro. Não é que esses edifícios fossem notáveis em si mesmos - exemplares raros de uma dada escola arquitectónica. Mas eram representativos de uma época e o seu desaparecimento (certamente para serem substituídos por um edifício modernasso) descaracteriza para sempre a rua na qual estavam implantados. Além disso, se esses edificios puderam ser tão despuradamente destruídos, quais é que estarão protegidos de semelhante destino? Provavelmente nem as casas de bonecas das chamadas ruas históricas, que os autarcas deste país tanto gostam reabilitar e proteger.
As obras antes referidas brindaram-nos com um parque de estacionamento (pago - que os Vilafranquenses, ao contrário de todos os cidadãos do concelho podem bem pagar!) no final da Rua Joaquim Pedro Monteiro. Contudo, o especialista que desenhou o parque, fê-lo de modo a não permitir o cruzamente de dois carros (um a entrar e outro a sair) na zona de acesso ao estacionamento. Tanto mais que o carro que sai tem de virar para a Rua do Curral em vez de sair directamente para a Rua Joaquim Pedro Monteiro. E por que razão a voltinha para a Rua do Curral em vez de se sair para a Rua Joaquim Pedro Monteiro, à qual o acesso até permite o cruzamento de dois carros?
Qualquer terra que se preze tem que ter uns sinaizitos de trânsito. É um sinal de modernidade e de vanguardismo. Vai daí, os nossos edis aproveitaram as recentes obras na Rua Alves Redol e puseram uns sinais na entrada dessa rua. Uma forma de pôr ordem na desordem e de fazerem notar quem manda. A consequência foi um aumento da desordem com filas em todas as vias de acesso ao cruzamente sinaleticamente modificado. Em hora de ponta, chegam, por exemplo, bem dentro da Rua Vasco Moniz (sim, a da sede do Ateneu) e só desaparecem quando, cerca das dezanove horas, os sinais ficam todos amarelos. A fotografia documenta os sinais que da Rua Joaquim Pedro Monteiro dão acesso à Rua António Lúcio Batista. Quando abrem, estes sinais deixam passar apenas dois carros de cada vez. Ah, o que fazemos para sermos modernos!
Todos sabemos que é premente a reabilitação urbana de Vila Franca de Xira. Mas justifica isso que os serviços camarários autorizem (veja-se o painel do alvará na janela) a transformação de um quintal em casa de habitação, como a que se verificou aqui na Rua do Curral? Repare-se que, como a imagem abaixo mostra, o quintal deixou de existir, uma vez que o telhado chega às janelas do rés-do-chão.
A Rua Alves Redol passou a ter uma faixa exclusiva para BUS. Para muita gente isto não se justifica, uma vez que Vila Franca de Xira tem um reduzido volume de tráfego de transportes públicos. A única razão plausível para recusar esta conclusão é o facto de esta faixa poder ser usada por todo o tipo veículos de emergência. De facto, uma ambulância que entre na cidade pelo norte e se dirija ao Hospital Reynaldo dos Santos tem de atravessar toda a Rua Alves Redol, o que à hora-de-ponta com frequência demora um tempo desesperante. Contudo, para que esta razão possa ser aceite e, portanto, para que a existência da faixa de BUS possa ser justificada, ela não pode limitar-se aos cerca de trezentos metros agora existentes. Esperamos, pois, pela proibição de estacionamento em toda a Rua Alves Redol e o prolongamento da faixa do BUS até ao edifício da Câmara. Se isto não for feito, a conclusão acima é inevitável: a faixa de BUS é ridícula e, consequentemente, constitui apenas mais um exemplo do provincianismo bacoco dos nossos edis.
No novo arranjo paisagístico da Rua Alves Redol, um prédio conseguiu o privilégio único de um pequeno canteiro fora de porta. As más línguas dizem - embora nós não acreditemos, claro - que a razão de ser do canteiro está em morar aqui uma grande amiga da presidente da Câmara Municiapal de Vila Franca de Xira. Há gente capaz de dizer tudo!
Temos condenado - às vezes veementemente - alguns procedimentos errados das autoridades locais. É, no entanto, justo que sejam elogiadas quando procedem correctamente. É o caso relativamente às sanitas das casas de banho masculinas da Biblioteca Municipal. Como a fotografia documenta, elas têm finalmente dispositivos que permitem que os utentes as utilizem na posição sentada. Estes não deixarão de agradecer nas horas de maior aperto.
O novo horário de funcionamento da Biblioteca Municipal de Vila Franca de Xira, em vigor entre 1 de Julho a 15 de Setembro, estabelece que as salas infantil e do audiovisual abram às 11 horas, uma hora depois de a biblioteca abrir (aos sábados, a primeira abre apenas de manhã e a segunda apenas de tarde). Numa época do ano em que a maior parte das crianças estão em férias escolares e têm mais tempo livre e em que, portanto, a Biblioteca deveria estar mais tempo aberta e ter mais actividades lúdico-culturais, é precisamente o contrário que acontece. Na imagem, um grupo de crianças espera, à porta, impacientemente, que o espaço infantil abra.
É incontestável que o novo arranjo da Rua Alves Redol, apesar da polémica que envolveu a sua realização, beneficiou imenso a entrada norte de Vila Franca de Xira. Pena é que nem tudo seja perfeito. Por exemplo, os bancos apenas permitem que as pessoas se sentem viradas para os prédios e que, em consequência, estejam condenadas a usufruir de vistas como esta:
Esta é uma fotografia da sanita da casa de banho dos homens na Biblioteca Municipal de Vila Franca de Xira. As duas sanitas existentes (a outra está agora fechada e, presume-se, avariada) não têm tampo, razão pela qual os utentes têm de as usar em condições, para dizer o mínimo, difíceis. Num concelho cuja Câmara pode atribuir subsídios de 20000 euros à entidade privada que gere a Praça de Toiros, o estado a que estão votadas as casas de banho dos homens da primeira Biblioteca Municipal diz tudo sobre a importância que a edilidade atribui à cultura e o respeito que tem pelos frequentadores da referida biblioteca.
Por falar em impunidade, que dizer da total impunidade com que alguns senhores conspurcam as paredes de alguns edifícios, públicos e privados, para promover os seus espectáculos? No caso dos graffities não é fácil descobrir os responsáveis. Não acontece o mesmo neste caso. Quem é então responsável por que continuem a deixar as paredes no estado que a imagem documenta?
De há uns tempos a esta parte, os graffities têm-se multiplicado pelas paredes de Vila Franca de Xira com aparente total impunidade, resultado da quase completa ausência de patrulhamento policial (em algumas zonas vedadas ao trânsito, a ausência é completa). A imagem é do tunel que dá acesso às escadas que ligam a Rua Dr. Miguel Bombarda à Praceta. Eis mais alguns exemplos: